Jogos Vorazes - Em Chamas

Durante a época que as distribuidoras não estão esfacelando-se para ver quem consegue agradar mais os votantes da academia para que seus filmes ganhem um Oscar, elas estão disputando roteiros milionários e direitos de adaptação que também não são muito baratos para que elas possam lançar grandes bilheterias na Summer Season ou nos meses que a antecipam. No entanto, nos dias de hoje elas estão mais colegas do que antes, bem porque isso é igual a corrupção no Brasil - todos levarão um pouco, seja pelo sucesso de ou fracasso de outro. Mas assim como o próprio enredo, "Jogos Vorazes - Em Chamas" vem para quebrar o sistema e sobresair-se de uma temporada fraquíssima no cinema.

Em "Jogos Vorazes - Em Chamas", vemos Katniss Everdeen e Peeta Mellark como estrelas do país depois do sucesso que as amoras envenenadas fizeram na 74ª edição dos Jogos Vorazes, e como preparação para a colheita da 75ª edição dos Jogos, eles terão que fazer uma turnê entre todos os distritos para divulgar o evento, falar bem da capital e prestar condolências as famílias daqueles que tiverem seus filhos mortos na arena. No entanto, por causa dos inúmeros levantes na maioria dos distritos que beiram uma revolução contra a Capital, Presidente Snow decide fazer uma manobra que pode (e vai) mudar para sempre o sistema imposto pela Capital.

Quando assisti o primeiro trailer deste filme, lá na época dos MTV Movie Awards, eu fiquei certo e bastante frustrado por causa do alto número de efeitos visuais presentes naquele material, ou seja, depois de fazer um filme bastante sutil, simples e agressivo (no bom sentido) mais um filme havia se rendido às graças de Hollywood e ao seu sistema capitalista. Felizmente, eu estava errado. Porque mesmo com o orçamento praticamente dobrado e um número de salas digno de um blockbuster (serão 4.1 mil a partir de hoje nos EUA), o filme não só conseguiu manter sua pureza e qualidade, como aderiu a fortes aspectos políticos, o que é excelente, mais violência e um humor maduro e seguro, bem diferente da infantilidade que vimos recentemente em "Thor: O Mundo Sombrio" que todos aplaudiram.
Não serei hipócrita em dizer que sempre gostei de Jennifer Lawrence, porque não, minha simpatia começou depois que eu assisti "O Lado Bom da Vida" e me emocionei na cena que ela confrontava Robert De Niro. Mas não pense que eu torci pra ela no Oscar, porque não, minha favorita continuava sendo sendo Jessica Chastain, mesmo ela fazendo uma das melhores e mais madura performances em anos que essa sétima arte teve o prazer de ver. Felizmente, depois de assistir esse filme eu posso dizer sim que me tornei um fã de Jennifer, seja pela sua beleza, pelo talento ou até mesmo pelo extrema vontade de fazer um bom trabalho. Talvez ela seja uma das grandes atrizes dessa geração, talvez se apague tal qual Daniel Radcliffe ao final de "Harry Potter", mas agora eu gostaria apenas de pensar na sorte que temos de vê-la trabalhando, seja derrubando o sistema, seja cuidando da família, fazendo parte de esquemas sórdidos, o importante é ter Jennifer Lawrence.

Tal qual sua protagonista os coadjuvante não fizeram feio, muito pelo contrário a julgar pelas minhas expectativas. Começando por Josh Hucherston podemos dizer que ele nunca foi o ator que me vinha a cabeça quando eu pensava em jovens atores com qualidade, mas depois de ter a sorte de assistir "Minhas Mãe e Meu Pai" eu decidi desconsiderar seus trabalhos como ídolo adolescente para vê-lo como um ator sério que queria mais do que atenção de garotas histéricas. E aqui, ele felizmente consegue, porque mesmo que o personagem não exija tanta preparação, Josh estava sempre demonstrando sua força de vontade para sobresair-se e mostrar seu verdadeiro talento de atuar. Liam Hemsworth não possui o mesmo talento que o irmão, fato, no entanto devemos reconhecer que ele tem se esforçado, a começar pela separação de Miley Cyrus que já é grande coisa visto que ambos querem duas coisas completamente opostas. Como Gale, Liam já mostra sinais bastante maduros de um ator querendo achar seu espaço, mas ainda precisa esforçar-se muito mais para chegar a fazer o que Jennifer Lawrence e Josh Hutcherston fizeram aqui. E para terminar com os pretendes de Katniss, Sam Claflin foi realmente uma grata surpresa para mim, porque nos seus últimos filmes ele não demonstrou que sabia muito do que estava fazendo, mas aqui ele capta o real sentido do personagem, conseguindo retratar sua verdadeira finalidade e principalmente o que Suzanne Collins estava querendo dizer quando introduziu-o na história.
Para finalizar o time de coadjuvantes, vamos falar então das nossos queridos atores já consagrados que deram ao filme mais um sentido para assistirmos. Donald Shuterland nunca esteve tão bem, demonstrando uma vontade incrível de dar o melhor de si num personagem que parece não só ter sido escrito para ele, como também aquele que o ator sempre desejou estrelar. E a consequência disso? Outro show a parte ao vê-lo em cena confrontando Jennifer Lawrence. Lenny Kravitz é a pior escolha para esse elenco desde o primeiro filme, porque ele não possui expressão, não tem nenhuma vontade, e parece ter sido anestesiado por alguma planta mágica das competições. Cinna merecia um ator bem mais competente e ambicioso para interpreta-lo. Elizabeth Banks sempre me deixa sem palavras quando entra em cena, seja nas comédias divertidas que ela costuma fazer como "Pagando Bem, Que Mal Tem?" e"O Que Esperar Quando Você Está Esperando" ou nos dramas bem escritos como "Bem Vindo a Vida" de Alex Kurtzman, mas aqui ela é mais uma vez brilhante na performance de Effie, que para alguns pode parecer mais uma tietagem minha com uma atriz bonita, mas acredite não é, porque não é de hoje que eu desejo uma indicação a atriz pela performance. Woody Harrelson está realmente na melhor fase da sua carreira, demonstrando uma versatilidade incrível para fazer qualquer tipo de coisa. E Haymitch pode parecer bastante pequeno para o seu talento ou até um tanto quanto fácil para o que o ator já fez, mas são nesses pequenos papeis que atores mostram o seu valor, e Woody não faz isso, ele faz a Academia pensar no motivo pelo qual eles ainda não deram um Oscar para ele.

A troca da direção no início das filmagens me deixou bastante preocupado, porque quando uma coisa dessas acontece é certamente porque a produção passa por problemas ou aconteceu alguma briga nos bastidores. Felizmente a saída de Gary Ross foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com esse filme, porque mesmo que eu tenha gostado muito trabalho do trabalho do diretor, ele tinha um costume medonho de tentar fazer diferente e mostrar a todo mundo seu trabalho, e convenhamos uma franquia como "Jogos Vorazes" não deve-se usar um diretor oportunista e exibicionista para a direção. E se com "Água Para Elefantes" ele tinha feito um milagre ao dirigir a mula sem expressão do Robert Pattinson, aqui ele não só faz o filme como deveria ser feito, como é fiel ao livro que deu origem ao filme. Ou seja, era isso que o filme (e a franquia) precisavam, de uma direção segura, fiel ao livro e (principalmente) sem quaisquer maneirismo.
O roteiro escrito por Michael Arndt e Simon Beaufoy foram outros aspectos que impressionaram de um filme teen que não esperava-se muita coisa. Bastante fiel ao livro, alguns diálogos foram até copiados, o roteiro é cheio de tiradas políticas, discursos sobre liberdade, mensagens sublimares (que infelizmente não foram entendidas já que a maioria do público vai assistir mesmo é para ver a beleza dos protagonistas e é extremamente alienada), um humor que sabe a hora de aparecer e (principalmente) o que falar (Joanna despindo-se no elevador é um ótimo exemplo disso).

Eu posso estar extrapolando ou falando até coisas demais, no entanto eu realmente gostaria de ver esse filme no Oscar, seja pelo roteiro que merece muito ser indicado, a performance de Elizabeth Banks, a fotografia de Jo Willems ou até mesmo a trilha sonora de James Newton Howard, porque filmes como esse, você deve bem saber que aparecem uma vez ou outra, quem sabe se tivermos sorte num remake daqui a uns 20 anos que não será a mesma coisa.
Nota: 10 - Excelente 

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