Além da Liberdade

Uma coisa que (felizmente) nunca saiu de moda de Hollywood foi a produção de cinebriografias de grandes líderes mundiais, sejam eles populares ou impopulares. Ja tivemos algumas dessas (cinebiografias) vindas das mãos de Gus Van Sant com "Milk - A Voz da Igualdade", das de Steven Spielberg com "Lincoln", entre outros. Consequentemente, a maioria dessas cinebiografias foram  potências nas temporadas de premiações, e arrecadaram muitos milhões de dólares por causa dos nomes que levam consigo.

Em "Além da Liberdade", vemos a história real da ativista política Aung San Suu Kyi, que recebeu muita atenção da imprensa internacional quando em 1991 venceu o prêmio Nobel da paz, mas foi impedida pelo governo da Birmânia de receber o prêmio, pois estava em prisão domiciliar por ter ido contra o governo ditatorial do país. Mesmo sendo eleita primeira ministra nas primeira eleições democráticas do país em 40 anos. No entanto, além de narrar as suas dificuldades em implantar um governo democrático no país, ela tem que conviver com a solidão de estar sem família, ja que eles estão impedidos de entrarem no país, sem contar que seu marido está com um terrível câncer na próstata.
Você e eu podemos xingar Hollywood de tudo - sem criatividade, manipuladora, falsa, mentirosa, monopolista, capitalista, mas nunca desapontou quando decidiu fazer uma cinebiografia ou um filme de época, mas como tradições foram feitas para serem quebradas, "Além da Liberdade" mostra que mais um gênero que Hollywood gostava tanto de produzir, pode estar ficando açucarado demais e longo demais, coisa que eu pensei nunca escrever numa crítica.
No seu primeiro roteiro para o cinema, a roteirista Rebecca Frayn demonstra uma vontade muito grande de falar tudo da vida dessa incrível mulher, que pelo roteiro ela parece idolatrar, mas não sabe como fazer isso (sério mesmo? Quantas vezes eu ja escrevi isso numa crítica), temos alguns diálogos muito interessantes que poderiam até serem aprovados para transmitirem uma mensagem interessante, mas tudo acaba indo para o ralo quando o roteiro se precipita e vomita inúmeras frases de efeito democrático na cara de quem assiste.  A direção de Luc Besson chega a ser quase tão preguiçosa quanto a equipe da NBC para criar uma boa série cômica, pois mesmo tendo uma atriz incrível que deu o seu sangue pelo papel, o diretor não sabia mesclar essa grande arma que ele tinha com o resto do elenco de apoio que era uma droga, jogando ambos em cena, e transformando tudo que ja esta cansativo em algo extremamente entediante. Como acabei de dizer, e talvez você tenha algum interesse em saber, a atriz que tornou a personagem mais interessante (do que ja era) foi Michelle Yeoh. Ela provou que (como ótima atriz) sabia como ter uma boa presença de cena, mesmo sem um bom diretor para orienta-la, sabia falar as palavras certas, mesmo sem um roteiro balanceado, sabia como sair e entrar em cena, mesmo tendo um elenco de apoio mais perdido que o elenco de qualquer série cômica (sem graça) da NBC.
Recomendo que se você goste de história, assista a esse filme e depois procure saber mais sobre a vida dessa mulher chamada Aung San Suu Kyi, pois mesmo não ganhando um filme a sua altura, ela merece a sua atenção.
Nota: 6,0

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