Os Candidatos

É inevitável relembrar o quão boa foi a eleição americana de 2008, não apenas pela mudança positiva do partido democrata ter ganhada a eleição ou o povo americano ter eleito o primeiro presidente negro, mas também toda a produção artística que o acontecimento rendeu, seja na televisão com a excelente sátira que Tina Fey fez de Sarah Palin, na literatura com a publicação de inúmeros livros de economia e política, ou na produção cinematográfica, como o excelente "Game Change" que não me canso de elogiar. No entanto, é também inevitável destacar que as eleições de 2012 não foram tão empolgantes quanto a de 2008 por não ter o fator surpresa chamado Sarah Palin, mas a única produção "eleitoral" de ficção lançada em 2010, ultrapassou um nível absurdo de falta de criatividade.

Em "Os Candidatos", vemos Cam Brady o candidato a governador da Carolina do Norte que por não ter nenhum oponente e sequer um partido de oposição, ja se considera governador meses antes das urnas serem abertas. Mas quando um grupo de investidores decidem tirar o candidato do jogo e pôr um desconhecido para ser seu oponente, o jogo muda e o que antes era fácil, vai se tornando difícil a cada semana.
Até ai podemos esperar um filme político decente, até porque muitos lugares por aí tem essa situação repetida a cada eleição, mas quando o filme realmente começa a mostrar a que veio, vemos situações vergonhosas, repetitivas, escandalosa e sem o menor sentido. E a culpa disso é do roteiro de Chris Henchy e Shawn Harwell que praticamente faz sua estreia em Hollywood, e, quem diria, do diretor Jay Roach. O roteiro é cheio de boas intenções, mas se perde quando tem que fazer piada para deixar o material mais próximo da comédia, porque as situações e os discursos políticos são barbáros, dignos de Oscar de Melhor Roteiro, mas quando esses discursos e diálogos são introduzidos em cena e protagonizados, ficamos muito frustrados com o que vimos, como na cena que o candidato Cam transa com a esposa do seu oponente, que acaba não fazendo graça e nem vergonha alheia, mas sim nojo e pensar porque eu estou assistindo isso. Ja os personagens são criados com maestria, principalmente o marqueteiro interpretado por Dylan McDermott.
O diretor Jay Roach me decepcionou um pouco, porque o que esse diretor fez com o gênero de comédia quando dirigiu "Entrando Numa Fria","Entrando Numa Fria Maior Ainda" e "Um Jantar Para Idiotas" foi algo realmente marcante no gênero das comédias, mas aqui toda essa marca fica perdida em algum lugar dos 90 minutos do filme, por não saber conciliar política com comédia.
Will Ferrel nunca me convenceu como um grande ator de comédia, assim como Jim Carrey, mas depois de assistir esse filme percebi o quão bom esse ator é. Com uma habilidade incrível de ser patético com elegância e uma facilidade em nos fazer rir apenas com uma cara engraçada, acho que tenho muita sorte de ver esse ator ainda trabalhando. Zach Galifianakis deve toda a sua carreira a "Se Beber Não Case", porque mesmo ele sendo extremamente engraçado, ninguém saberia quem diabos era Zach sem um empurrãozinho de Todd Philips. Porém aqui infelizmente ele não da o melhor de si, porque ja vimos Zach se esforçar muito mais e ter muito mais vontade de trabalhar. Prefiro o Zach visto em "Um Parto de Viagem" e em "Se Enlouquecer, Não Se Apaixone". Jason Sudeikis é um dos grandes comediantes que a minha geração tem o prazer de assistir, no entanto aqui, esse grande ator não tem espaço para mostrar seu enorme talento, ficando apenas como um coadjuvante de luxo o lado de Will Ferrell, sendo assim um enorme desperdício. Por fim, Dylan McDermott demonstra toda a sua vontade de se tornar um grande ator de Hollywood, porque é invejável sua disposição para trabalhar, prova disso é só ver seus trabalhos mais recentes como na excelente primeira temporada de "American Horror Story", depois apareceu em "As Vantagens de Ser Invisível" e futuramente o veremos nas telinhas da CBS com "Hostages". Mas enfim, aqui ele se esforça muito para ganhar atenção e consegue, tanto que se torna um dos melhores atores em cena.
Então podemos resumir "Os Candidatos" como uma eleição morna que teve seus grandes momentos, teve seus grandes discursos, mas que no final tudo pareceu ser um grande equivoco, mesmo que "Os Candidatos" em questão sejam os melhores do ramo.
Nota: 6,0

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