Odeio o Dia Dos Namorados

O cinema nacional segue um marketing bem avesso, porque enquanto nos EUA os filmes de médio porte tentam ao máximo fugir da competição com algum filme grande, mas os longas nacionais que tem se arriscado a disputar público com blockbusters tem se dado muito bem - "Gonzaga - De Pai Pra Filho" fez uma ótima bilheteria ano passado, mesmo tendo estreado no mesmo dia que "007 - Operação Skyfall", depois teve "Somos Tão Jovens" que fez um ótimo público mesmo pegando "Homem de Ferro 3" na sua segunda semana, e "Faroeste Caboclo" que levou a melhor perante "Se Beber Não Case Parte III". Agora, temos "Odeio o Dia dos Namorados" disputando com "Depois da Terra" e "O Grande Gatsby", será que o filme tem força e qualidade para enfrentar isso tudo?

Neste filme vemos Débora, uma mulher egoísta, rancorosa, fria e sem amor que é diretora de marketing de uma das empresas mais conceituadas de São Paulo. No entanto, devido a um descuido, ela acaba sofrendo um grave acidente e vai parar no além, ou seja, morre. Lá, ela vê tudo o que ja fez na vida e acaba descobrindo o que as pessoas realmente pensam dela.
Depois de três grandes sucessos comerciais, Roberto Santucci resolve fazer um filme sobre amor e redenção, nos remetendo até a velha história de Charles Dickens "A Christimas Carol", que o protagonista depois de morrer é levado ao seu passado para ver o que fez da vida e se ele merece ir para o céu. No entanto, há coisas bem diferentes entre os filmes anteriores de Roberto com esse aqui, a começar pelo roteiro, que mesmo conduzindo bem a história com situações bem redondinhas e ótimas piadas, traz personagens planos (com exceção da protagonista claro, cade o final feliz?) e uma extrema falta de coerência em certas cenas, coisa que não acontecia em "De Pernas Pro Ar" ou em "Até Que a Sorte Nos Separe". Faltou mais piadas, mais palavrões, mais graça e mais Heloísa, porque tenho certeza que se ela estivesse escrito o roteiro, teríamos uma obra prima da comédia nacional, coisa que anda muito difícil de acontecer.
Também senti falta de um bom elenco de apoio, porque os únicos que salvaram esse elenco foi Heloísa Perissé e Marcelo Saback (numa performance divertidíssima), porque o resto estava senão caricatos engessados, como Danielle Winits (que deve continuar na televisão, ela está ótima lá) e Daniel Boaventura que não está conseguindo se acertar a um bom tempo. Também faltou uma mão mais firme do diretor ao dirigir os atores em cena e um comprometimento maior dos mesmos.
Heloísa Perissé e Marcelo Saback são os que salvam esse filme do tédio, começando pela excelente ideia de transformar um enviado da luz num "veado" da luz, acredito que o filme conseguiu fazer muitas boas piadas com isso, sem ser homofóbico ou cuidadoso demais. Marcelo foi a melhor escolha para o papel. Heloísa é uma das melhores comediantes desta geração, pois acredito que é impossível ve-la fazer tanta bobagem em uma cena ou duas e você não cair na risada. Isso é um dom que nós temos o delicioso prazer de sempre de ter conhecido.
Ao contrário do que você deve estar pensando, "Odeio o Dia dos Namorados" deve sim ser visto por casais apaixonados e melosos que pretendem se casar em breve.
É um filme extremamente mal feito, mas ele possui uma áurea tão deliciosa, tão divertida que você, mesmo solteiro deveria ir ao cinema assistir, garanto que ao término da sessão você estará relembrando cenas do filme (como a drag queen cantando "Ai Se Eu Te Pego") e rindo sozinho.
Obrigado Heloísa por mais uma performance divertida e espontânea, precisamos de mais atrizes como você e Indrid Guimarães.
Nota: 8,0

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