O Grande Gatsby

Quando "O Grande Gatsby" foi adiado do final do ano passado para maio deste ano, muitos pessimistas (como eu), pensaram que o filme passava por alguns problemas, seja por causa do elenco, por causa do roteiro ou até mesmo por que tivesse que passar por algumas refilmagens, mas a estratégia de marketing da Warner Bros. é (de longe) uma das melhores do ano, porque o filme conseguiu não só ter uma data de estreia exclusiva sem nenhum filme para competir ou ter conseguido uma bilheteria mais do que ótima, como também conseguiu ser selecionado para abrir o Festival de Cannes 2013, prestígio que ja foi do ótimo "Moonrise Kingdom" ano passado e do excelente "Meia-Noite Em Paris" em 2011. Lembrando que ambos os filmes foram indicados ao Oscar, "Moonrise" a melhor roteiro original e "Paris" venceu o de melhor roteiro.

Se você está esperando para que eu conte parte da sinopse para você agora, se engana, porque para saber sobre o que o filme fala, você vai ter que comprar o livro. Coisa que eu espero que não demore para acontecer, certo?
Baz Luhrmann não é o queridinho da crítica, mas diferentemente dos outros diretores que não recebem essa sorte, Baz conseguiu se firmar como um ótimo diretor de musicais e filmes épicos, ou seja, ele sabe  (como ninguém) como dirigir uma grande equipe, um elenco cheio de super egos (como nesse filme aqui) e dar seu toque artístico que hoje ja é praticamente como uma assinatura. Aqui, o Senhor Luhrmann pode não fazer a mesma excelência que fez com "Moulin Rouge - Amor Em Vermelho", mas dá um show na direção de atores e na condução artística do longa. Evolução que é perceptível quando Leonardo DiCaprio entra em cena, pois a partir desse ponto o longa acelera e fica muito mais dinâmico e proveitoso do que estava sendo. E isso ajuda muito ao filme, sorte a nossa.
O roteiro é meio difícil para eu avaliar porque infelizmente não li o livro ainda (coisa que não vai demorar para acontecer), mas há coisas aqui que são evidentes, mesmo que eu não tenha lido a história na sua íntegra. Baz adaptou a obra homônima de F. Scott Fitzgerald com ajuda de Craig Pearce, o mesmo roteirista do sofrível "A Morte e Vida de Charlie", sendo que eles ja trabalharam junto em "Moulin Rouge". Aqui, o roteiro é bem diferente de "Amor Em Vermelho" pelo simples fato de não ter cantorias, mas o filme possui uma história muito mais rica e emocionante que os filmes anteriores de Baz, os personagens são construídos aos poucos, aproveitando cada pingo de criatividade que possa ter vindo na cabeça de Fitzgerald. O roteiro também apresenta um ritmo incrível, que não nos faz tirar os olhos da tela em nenhum momento sequer. Mesmo que certas situações são deixados de lado ou são ofuscada pelo sensacionalismo do diretor.
O elenco é o ponto mais forte do filme. Começando pela estrela mor Leonardo DiCaprio, que depois de ter feito um excelente "J.Edgar", entrega aqui uma performance madura,inteligente e perspicaz conseguido captar exatamente o personagem que Baz e Fitzgerald queriam. Pode não ser uma performance a altura de um Oscar, mas é a altura do nome Leonardo DiCaprio. Carey Mulligan é com certeza a maior revelação do cinema europeu em anos, pois aqui ela volta a mostrar porque ja passou da hora de ganhar um Oscar, pois pelo que vimos em "Educação", "Não Me Abandone Jamais", "Entre Irmãos", "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme", "Drive" e principalmente em "Shame" no qual protagoniza uma das cenas mais brilhantes da história do cinema, que é quando canta "New York New York" de Frank Sinatra, é sinceramente uma carta aberta a academia perguntando porque ainda não ganhou um Oscar, assim como aconteceu com Ryan Gosling. Como Daisy, Carey é um exemplo para as atrizes iniciantes e nos da uma amostra do que veremos quando ela for envelhecendo. Tobey Maguire foi o que menos me agradou, pois ainda da para ver que ele não esqueceu sua era como Peter Parker, mesmo depois de fazer uma interpretação a nível de excelência em "Entre Irmãos". Aqui, Tobey mostra uma forte recaída e uma crise de ciúmes com Andrew Garfield por tomar seu posto como Homem Aranha. Elizabeth Debicki é a melhor revelação do ano (até agora), pois mesmo pegando uma personagem super difícil, ela se entrega de uma forma madura e decidida, sem deixar de se divertir (é claro), pois qual é a graça de fazer um filme desse e não se divertir? Queremos ve-la trabalhando, e muito. Joel Edgerton é o ator que mais merece crédito por esse filme, numa das melhores performances da sua carreira, Joel consegue fazer melhor que "Guerreiro" e é desde ja um forte candidato para uma indicação a Melhor Ator Coadjuvante. Isla Fisher esta ainda muito a quem do que pode fazer, mas a cada personagem que ela interpreta é sempre um show, porque Isla é (além de muito bonita e saudável) uma das melhores atrizes de sua geração.
A trilha sonora é bárbara, com composições originais de Fergie, will.i.am, Florence & The Machine e Lena Del Rey. A compilação é desde ja um das mais fortes concorrentes a essa categoria no Oscar de 2014. A maquiagem e o penteado são espetaculares, ainda mais os das mulheres que se concentram em Isla Fisher e Elizabeth Debicki. Os figurinos são um espetáculo a parte para os olhos, feitos por Catherine Martin, a mesma de "Austrália" e "Moulin Rouge" deve ser mais uma forte concorrente ao Oscar de 2014. Por fim, a direção de arte e a cenografia também dão um show de competência e beleza, nos remetendo a Nova York em construção da época.
Mesmo que tenhamos alguns erros de sensacionalismo e falta de drama em algumas cenas, "O Grande Gatsby" de Baz Luhrmann pode não ser a obra prima que se esperava, mas é um filme memorável que deve aparecer muito no Oscar de 2014. E eu estou torcendo por ele.
Nota: 9,0

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