Minha Mãe é Uma Peça - O Filme

Ultimamente temos visto mais comédias do que dramas nas produções nacionais, e você goste ou não, essas comédias tem levado muita gente aos cinemas, no entanto o que para uns é divertimento e entretenimento, para a crítica é puro sofrimento, pois você deve saber que a crítica brasileira não gosta muito do humor trazido da televisão e do teatro para o cinema, pois julga ser muito popular e pouco inteligente. Aparentemente eles possuem um pouco de razão, até porque muitas comédias lançadas no Brasil chegam com a única finalidade de arrecadar dinheiro e encher o cofres da Rede Globo, o que (felizmente) não é o caso de "Minha Mãe é Uma Peça - O Filme".

Dona Hermínia é um exemplo de mãe, faz tudo para o bem de seus filhos,lava, passa, vai ao mercado, enfim tudo o que uma zelosa mãe e dona de casa faz. Até um belo dia que a mãe coruja escuta uma conversa dos seus filhos e descobre que eles preferem morar com o pai (que é divorciado) e a filha não quer ser igual a mãe, e sim, igual a madrasta megera. A partir dai, Dona Hermínia decide sair de casa e passar um tempo fora com sua tia para ver se os seus filhos vão valorizar a mãe que tem.
Nesta pequena sinopse você ja percebe que o filme tem muito espírito maternal, mas não pense que a adaptação da peça homônima de Paulo Gustavo é mais um filme bonitinho sobre o valor que toda a mãe tem, pois o filme tem muito mais que isso, pois ele emociona, diverte, te faz refletir sobre algumas coisas e no final te chama para pensar um pouquinho na sua própria mãe - Será que nunca fomos assim um dia, mal agradecidos? Será que nunca decepcionamos a nossa mãe? Será que nunca esquecemos de agradecer algum sacrifício feito por ela para ganharmos alguma coisa?
E toda essa emoção só aparece e esta presente nos (curtos) 90 minutos do filme, por causa de uma pessoa - Paulo Gustavo. Um ator que tem sim seus momentos caricatos, mas e daí? Sou muito fã do seu programa no Multishow "220 Volts", porque creio que ele é um dos poucos comediantes que consegue fazer humor sem apelar para o sexismo, não que isso seja uma coisa ruim, porque Ingrid Guimarães usa e abusa de tal fórmula e consegue ser tão engraçada quanto. Enfim, numa performance mais do que memorável no gênero comédia, Paulo Gustavo é um dos grandes comediantes que a minha geração tem o prazer de assistir na TV, no teatral e agora no cinema, espero ver muita mais coisa de um ator que tem de tudo para ser (quem sabe) o Chico Anysio da minha geração. Felizmente, Paulo não estava sozinho no filme, porque junto com ele tínhamos a super divertida Samantha Schmütz, aquela que nunca perde a vontade de trabalhar e sempre muito sensível Suely Franco, aquele que nos promete surpreender muito no gênero da comédia e no drama Rodrigo Pandolfo, a estreante que deve seguir carreira na TV Mariana Xavier, o incansável Herson Capri que sempre demonstra seu carisma inesgotável, Alexandra Richter, que particularmente sempre me diverte com suas caras e bocas, mesmo que não esteja tão  memorável como estava em "Cheias de Charme", mas com suas poucas aparições ela conseguiu dizer a que veio. Os Roteiristas e o diretor fizeram um trabalho competente, longe do que fazem em "220 Volts", mas a figura de Paulo Gustavo em cena, conserta qualquer erro, desata qualquer nó e faz o mais mal humorado da platéia se acabar de rir.
Recomendo que você saia dessa sua vida sedentária de Facebook e vá no próximo horário de "Minha é Uma Peça - O Filme", porque você vai rir como nunca antes numa das melhores comédias nacionais desde a retomada.
Nota: 9,0

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