A Escolha Perfeita

Os musicais que são adaptados para o cinema levam consigo não só uma produção caprichada, mas também um rótulo terrível que atinge (principalmente) o público masculino, naquele pensamento arcaico de que os homens que assistem musicais, seja na Broadway ou no cinema, são gays. Mas porque eu digo isso? Porque a maior parte do público que assistiu "A Escolha Perfeita" no seu final de semana de expansão, eram adolescente homens, ou seja, além de começar a quebrar esse rótulos, "A Escolha Perfeita" da uma autêntica porrada no feminismo e nos estereótipos sociais de hoje, assim como "Beleza Americana" fez com a sociedade da década de 90, quando foi lançado em 1999 ao vencer cinco prêmios da academia incluindo Melhor Filme.
Em "A Escolha Perfeita", vemos Beca uma adolescente recém chegada na universidade, que decide entrar no grupo de canto feminino da universidade - as Bellas, porque tem o sonho de se tornar DJ ao sair da faculdade, mesmo não tendo apoio do seu pai, que é professor da instituição. Mas as Bellas possuem um problema, limpar (literalmente, só quem assistiu o filme entende) a imagem deixada na final nacional do ano passado, e tentar achar meninas que se arriscariam a cantar no time. E Beca com toda sua atitude, vai tentar mudar o jeito no qual o grupo canta e age nas competições.
Na direção temos Jason Moore, que por incrível que pareça faz sua estreia no cinema depois de comandar episódios de "Brothers & Sisters" para a ABC e "Dawson's Creek" para a extinta The WB (equivalente a The CW de hoje). Como diretor do seu primeiro longa, Jason possui erros clássicos de iniciantes como ritmo e direção de elenco, mas se formos analisar o filme como um todo, não apenas os detalhes, Jason faz não só uma reciclagem da cultura pop (coisa que eu nunca acharia possível), mas também um musical moderno, divertido, contagiante e  dançante, porque mesmo amando adaptações de musicais para o cinema, eles seguiam apenas um modo de narrativa e querendo ou não eram muito influenciados pelos valores sociais da época que eram montados (menos "Mamma Mia!" que não tem nada de conservador), o que não acontece em "A Escolha Perfeita". Sorte a nossa. 
O roteiro de Kay Cannon é talvez o fator que deixa o filme tão divertido, além do appel de Rebel Wilson, claro, e isso ela deve ao aprendizado com Tina Fey ao escrever alguns episódios da sensacional 
"30 Rock". O roteiro pode terminar no lugar comum do felizes para sempre, mas quem se importa com esses clichês? Me importaria se o filme todo fosse previsível, mas não, por mim se o segundo filme (que será lançado em 2015) seguir a mesma fórmula,tudo bem, desde que divirta tanto quanto o primeiro.
Anna Kendrick é, indiscutivelmente, uma das melhores (se não a melhor) atriz de sua geração, porque ser indicada ao Oscar por "Amor Sem Escalas" ao lado de monumentos do cinema, como Penélope Cruz e Vera Farmiga e fazer filmes como se tivesse se divertindo, isso é coisa de grandes atrizes. Ela, e Jennifer Lawrece representam o rosto dessa nova geração de atrizes que promete nos emocionar, nos fazer rir, dançar (como é o caso daqui) e torcer muito por um Oscar. Brittany Snow ja participou de algumas bobagens pouco proveitosas para a carreira de uma atriz, como o filme "Todos Contra John" de 2006, mas neste longa, ela volta a ser aquela garotinha de "Hairspray" que almejava o estrelato, mas com uma qualidade muito melhor agora, sua maturidade esta muito mais presente agora que a alguns anos atrás no lançamento de "Hairspray". Qualidade que deve lhe ajudar a entrar em projetos mais interessantes e que demonstram sua qualidade dramática, como vimos no excelente telefilme da Lifetime - "Call Me Crazy". Anna Camp, pode não ter sido o maior destaque deste filme, mas dos papéis que vinha fazendo, sua Audrey demonstra capacidade de assumir personagens mais complicados e fortes, mas se seguir sua veia de comédia, ela terá muito futuro, ja que ela faz uma personagem hilária em 'The Mindy Project". 
Por fim, mas não menos importante, temos a revelação do ano Rebel Wilson, que depois de pegar personagens pouco interessantes ou relevantes em "Missão Madrinha de Casamento" e "O Que Esperar Quando Você Está Esperando", arrasa na pele de Fat Amy não só pela cantoria, mas pela concentração, improviso e percepção em absorver a finalidade da sua personagem em cena - fazer críticas sociais tão sutis que só os praticantes de tais preconceitos saberão captar.
Nota: 9,0

0 comments: