Somos Tão Jovens

Existe um grande problema quando o cinema nacional decide fazer uma cinebiografia de alguém importante de alguma geração passada ou até mesmo da história do Brasil - omitir informações. E isso é um grande problema iniciado lá em 2010 com o lançamento de "Lula - O Filho do Brasil", pois para quem viu o filme (poucos como eu), percebeu que contava apenas a parte boa e influente da vida do senhor Lula, deixando de lado suas passadas pela polícia e mais alguns podres do passado, a sorte do filme é que Glória Pires interpretou dona Lindu (mãe de Lula) com muita propriedade e salvou o filme nas partes que protagonizava, como é do seu costume. Mas aqui, o grande problema não é a omissão de informação, mas o desejo de fazer dinheiro.

Em "Somos Tão Jovens", vemos a adolescência de Renato Russo, passando pela criação da sua primeira banda, o Aborto Elétrico, pela descoberta da homossexualidade, pela ditadura militar até a criação do Legião Urbana. Além disso, também vemos seu relacionamento com seus pais e a amizade com sua melhor amiga, que lhe ajudou a fazer praticamente tudo na vida.
Bom, com essa pequena sinopse você pode ver que sim, o filme abrange muita coisa da vida de Renato Russo, graças a pessoa mais importante dessa equipe: Thiago Mendonça, um ator que mesmo sendo a cara de Renato Russo, nunca recebeu nenhum papel a sua altura, apenas fazendo personagens pequenos como na ótima minissérie "Dalva e Herivelto" no qual interpretava o filho do casal do título e muitas vezes personagens sem a menor importância como em "Tropa de Elite" e na sua última novela "Duas Caras", seu único papel relevante (quem diria) foi interpretar Luciano em "2 Filhos de Francisco". Porém, com este filme, acho que esta mais do que claro o quão estúpida a Rede Globo foi por não dar-lhe uma chance melhor, até porque ano passado ele assinou contrato com a Rede Record. Na pele de Renato Russo, Thiago Mendonça entrega um das melhores atuações do cinema nacional do ano (até agora). Ja Laila Zaid, mesmo que não tenha feito o personagem com a mesma intensidade que Thiago fez, entregou uma performace muito forte e segura, me surpreendendo muito, até porque suas últimas personagens foram: uma secretária na novela "Amor Eterno Amor" e uma mulher bem debochada na divertida comédia "E Aí...Comeu?". Espero ve-la mais vezes.
No entanto, uma coisa me decepcionou muito - o roteiro, porque como disse no início deste texto, o maior problema do filme foi se apegar muito ao fator bilheteria, ou seja, a única coisa que motiva os diretores (de comédia) a fazerem filmes no Brasil. O roteiro de Marcos Bernstein se perde ao tentar fazer um filme família sobre a adolescência de Renato Russo, mas isso é impossível, tanto que tal coisa atrapalhou muito o filme, pois você viu alguma cena de consumo de drogas ilícitas? Alguma cena de sexo? Cadê os palavrões? Desculpa, mas não consigo ver um filme sobre Renato Russo que não tenha isso tudo.
Por fim, o diretor Antonio Carlos de Fontoura demonstra toda sua experiência como diretor, conduzindo o elenco de uma forma muito natural, sem apressar nada, todos nas suas posições. Quem dera que todos os diretores tivessem um pouco do talento de Antonio.
Nota: 8,5

0 comments: