Invasão à Casa Branca

Estou começando a me irritar com a indústria do cinema, porque parece que lançar dois filmes sobre praticamente a mesma coisa se tornou regra nesses dois últimos anos. A moda iniciada com a releitura da Branca de Neve rendeu dois bons filmes: um divertido "Espelho, Espelho Meu" que valia por ter Julia Roberts no papel da madrasta má, e "Branca de Neve e o Caçador" que apesar de ter Kristen Stewart como protagonista, tinha uma produção artística muito boa e uma Charlize Theron memorável, como sempre. No entanto, em 2013, teremos dois filmes sobre atentados a Casa Branca: "Invasão à Casa Branca" (que nos EUA tem um título muito melhor "Olympus Has Fallen") que esta sendo um sucesso nas bilheterias e teve um apoio da crítica, e "O Ataque" la para a metade do ano, que é bem aguardado por ser um dos roteiros mais caros da história do cinema, e também porque teremos Roland Emmerich na direção. Mas especialmente no Brasil, teremos mais uma sequência de filmes sobre uma mesma pessoa: Renato Russo, com sua cinebiografia em "Somos Tão Jovens" e "Faroeste Caboclo" baseado na sua música homônima.
Mas todos queremos saber, será que vale a pena eu ir no cinema ver um filme que eu poderei ver daqui a 3 meses com a mesma história? Com certeza, até porque, se você se decepcionar com "O Ataque", vai se arrepender de não ter ido aos cinemas conferir "Invasão à Casa Branca".
No filme, temos Mike Banning um agente das forças especiais que devido a um paço em falso na proteção da família do presidente, é afastado por tempo indeterminado do cargo. Até o dia em que um rebelde norte coreano, infiltrado na equipe sul coreana, invade a Casa Branca com a ajuda de um exército de rebeldes e faz o presidente e sua equipe reféns, enquanto executa um plano de jogar os EUA pelos ares.
A grande sacada desse filme vem por causa de uma tacada de sorte incrível, porque o longa conseguiu a proeza de retratar um atentado norte coreano a Casa Branca bem no momento que o mundo esta a beira de uma terceira guerra mundial por causa da prepotência da Coréia do Norte, e isso não só torna o filme mais sério, como também, propõem um banho de originalidade aos filmes de ação, que viram ideias de inimigos russos, ex-agentes soviéticos e israelenses ou iranianos se tornarem ultrapassadas e desinteressantes. O que felizmente não acontece aqui.
Quando Antoine Faqua lançou "Dia de Treinamento" e deu mais um Oscar para Denzel Washington, todos começaram a traçar uma carreira para um diretor que tinha de tudo para ser grande, mas tal sonho não se realizou por falta de um bom timing para escolher bons projetos, que levaram Faqua a dirigir filmes ruins como "Lágrimas ao Sol" com Bruce Willis e "Rei Arthur" que estava mais para filme B de quinta. Aqui, Faqua finalmente entrega o que esperávamos ver após "Dia de Treinamento", um filme maduro, que não enrola, sabe o que quer e principalmente destaca a qualidade do diretor em deixar seus filmes no tom certo de "escuridão". Característica herdada ao dirigir "Dia de Treinamento".
Me espanta positivamente, ao ver que os roteiristas deste longa, são ambos debutantes, porque eu esperava ver profissionais com uma longa caminhada pelo mundo dos roteiros, mas não, Katrin Benedikt e Rick Yune fizeram um excelente trabalho de início de carreira, só esperamos, que eles não sigam o exemplo do seu diretor que tem uma carreira muito irregular.
O elenco é um dos melhores atrativos do filme, a começar por Gerard Butler que depois de uma fase muito perdida na carreira, finalmente consegue se achar num filme que não só valoriza sua forma física, como sua concentração e experiência, qualidade que ele aprendeu quando fez "Código de Conduta" e "Rock'n'Rolla - A Grande Roubada". Aaron Eckhart tem muita versatilidade, e demonstra uma facilidade muito grande em interpretar os mais distintos papéis, sem errar ao conduzir seu personagem, dando a um ritmo a ele que ao invés de cansar o telespectador, o invoca quando o mesmo da sinais de desinteresse. Morgan Freeman é um ator que quando você mais o subestima, mas ele lhe prova que pode fazer melhor do que sabe fazer, e se em "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" ele estava um tanto que apagado em meio as performaces acima da média de Anne Hathaway,Marion Cotillard e Tom Hardy, aqui, ele tem um amplo espaço para esbanjar suas qualidades em oratória ao declamar as muitas frases de efeito presentes no roteiro, tem espaço também para dizer que, ele está longe (bem longe) de uma coisa chamada aposentadoria, porque fazer o que este homem vem fazendo com a mesma qualidade de sempre, chega a ser alívio para os nossos olhos que tivemos que ver meninos serem chamados de astros por rimarem uma frase com outra e terem uma cara bonitinha. Angela Bassett é uma atriz que me fascina muito não só pela beleza de uma mulher de 55 anos, mas também, pela grande atriz que ela guarda dentro dela para quem sabe um dia, num grande papel ele coloca-lo para fora, porque aqui, mesmo estando muito bem e demonstrando suas qualidades em tornar uma personagem descartável em alguém que não se pode tirar os olhos, ela diz a todos os produtores que pode fazer qualquer tipo de papel. Melissa Leo vem me surpreendendo pela expressividade dos seus papéis, que mesmo depois de ganhar seu merecido Oscar, continuam na mesma, porque por mais que aqui ela protagonize uma das melhores e mais fortes cenas do filme, Melissa ainda continua fazendo papéis pequenos, coisa que nessa altura da carreira ela não deveria mais aceitar. Ashley Judd nas poucas cenas que aparece, esbanja seu carisma e simpatia, sem ser forçada ou obrigada a nada. Judd sabe sempre o que fazer para que sua aparição, por menor que seja, tenha impacto, e isso felizmente é uma marca que temos sempre o prazer de ver. Radha Mitchell é uma atriz que ainda está apenas engatinhando, no entanto, com o que vemos aqui e em "Red Widow" (novo drama da ABC), posso afirmar que ainda veremos essa linda atriz ganhar muitos prêmios num papel que enaltece seus atributos físicos e sua capacidade de se emocionar fácil. Por fim, temos Dylan McDermott que fez uma excelente primeira temporada de "American Horror Story" e (infelizmente) aqui ele não faz mais do que deveria fazer, porque ele conseguiu tornar um personagem que o público não da muita bola, em algo extremamente descartável. Espero que daqui em diante, ele continue fazendo seus personagens com a mesma visceralidade que fez em "American Horror Story".
Esse filme me cativou muito não só pelas explosões bem feitas, os diálogos bem arrumadinhos ou o elenco super bem entrosado, mas também pelo bem que esse projeto faz aos filmes de ação que a anos estavam precisando de uma mudança, modificação que se tornou urgente quando "Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer" chegou aos cinemas e deflagrou a falta de criatividade que não só atingia os filmes de ação, mas como também toda Hollywood.
Nota: 9,0

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