A Entidade

Nesses tempos do cinema contemporâneo, que o principal problema é a falta de criatividade, todo sopro de novos ideias faz com que o projeto se torne um marco em determinado gênero. E "A Entidade", mesmo sendo fruto de "Atividade Paranormal", mostra que ainda há coisas boas para ser tirada do saturado gênero da paranormalidade, é apenas uma questão de técnica em saber aproveita-la.
No longa, vemos Ellison um escritor famoso pelos seus romances baseados e tragédias locais, que incluem desaparecimentos de crianças e bizarros derramamentos de sangue. Mas ao mudar-se para uma nova cidade para escrever um novo livro, ele descobre filmes macabros no sótão da casa e desperta eventos,presentes nos vídeos, que podem não só mata-lo, mas como toda sua família.

Acredito que ao ler a palavra "sótão" você ja ficou desanimado pensado que todo filme de terror começa com uma bobagem do protagonista, mas mesmo que o início seja praticamente o mesmo que outros filmes do gênero do terror, a grande qualidade do filme é o modo que conduz a história e como ele se desenvolve a história, não tornando-a fantasiosa ou boba (como "A Filha do Mal"). E esse diferencial vem do diretor Scott Derrickson, que mesmo que tenha dirigido "O Dia Que a Terra Parou" com muita falta de criatividade e sem a menor vontade de reinventar alguma coisa, murchou a carreira de Keanu Reeves, mas aqui, ele consegue resgatar todas suas qualidades apresentadas lá quando dirigiu "O Exorcismo de Emily Rose", filme que mesmo bobinho, injetou muita coisa boa no gênero morno do exorcismo da época. No elenco, apenas Ethan Hawke se destaca com uma incrível vontade de trabalhar, mesmo que nos últimos anos ele tenha participado de poucos filmes de expressão como: "Estranha Obsessão" com Kristin Scott Thomas e da "franquia" com Julie Delpy que esse ano se encerra com "Antes da Meia Noite". Aqui, Hawke mostra que deixou de ser o garoto ingênuo de "A Sociedade dos Poetas Mortos" e se tornou um ator de mão cheia, com a capacidade de interpretar qualquer tipo de papel. Com esse talento ele deverá ser visto nas grandes premiações muito em breve. O roteirista, que escreve em parceria com o diretor, demonstra que por ser o primeiro trabalho, ele tem toda a cabeça, tem a toda a agilidade que novos filmes precisam, caminhos que não só o gênero precisa, mas Hollywood. C. Robert Cargill (o roteirista debutante), faz uma boa estreia nos roteiros.
Tecnicamente, o filme usa e abusa dos recursos de câmera que procura vários ângulos para aumentar a tensão do telespectador, coisa que funciona, ja que esse é um dos poucos filmes que me deu alguns sustos. As composições originais de Christopher Young também ajudam para o aumento da tensão, algo que também soa como um sopro de jovialidade, porque a maioria dos filmes que vimos, reciclam muitas composições de Hans Zimmer tornando-as clichês.
Então, se você quiser levar alguns sustinhos e se intrigar com uma boa história (coisa também muito difícil hoje), recomendo que você vá a locadora e pegue "A Entidade", porque em tempos de remakes e reboots, um filme original tão bom como esse, nos faz acreditar que não só o gênero tem salvação, mas toda Hollywood.
Nota: 9,0

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