Oz: Mágico e Poderoso

Quando um canal de TV ou uma produtora acha sua galinha dos ovos de ouro, e por algum motivo essa galinha "morre" ou "deixa de fabricar" ovos, é feita uma corrida desesperada para que outra galinha seja gerada, exemplos disso? A ABC tenta achar a nova "Desperate Housewives" desde que a mesma saiu do ar. E no cinema "Alice no País das Maravilhas" gera o mesmo alvoroço desde que saiu de cartaz e arrecadou mais de 1 bilhão de dólares no mundo todo, e agora, surge a primeira tentativa da Disney achar sua nova galinha dos ovos, será que eles foram bem sucedidos?

A história de "Oz: Mágico e Poderoso" começa quando Oscar, um mágico canastrão, entra num balão de ar para fugir dos brutamontes do circo que trabalha, por ter enganado uma criança de cadeira de rodas. Mas por alguma razão o balão é engolido por um furacão, e Oscar vai parar na terra mágica de Oz, o qual reinam três irmãs: Evanora, Glinda e Theodora. Chegando lá, ele descobre que terá que enfrentar a terrível bruxa do leste, para ter seu trono de volta. Será que ele consegue? Quem será a Bruxa Má do Leste? Qual delas vai se transformar na temida bruxa do Oeste? Essas são perguntas só serão respondidas quando você for ao cinema, coisa que (acredito eu) não deve demorar, certo?
Depois de ver o que Sam Raimi tem de melhor a oferecer ao concluir sua trilogia do Homem Aranha, produzir um bom filme sobre possessões demoníacas em "A Possessão" e escrever um bom roteiro para "Arraste-me Para o Inferno" que só pelo roteiro vale a pena ver o filme, fiquei muito esperançoso com o que poderia ser projetado nas telas na sessão de "Oz", até porque é um musical que me encanta muito, ainda mais quando é Judy Garland á frente. Felizmente, fiquei muito satisfeito com tudo o que vi, principalmente com a direção e a produção artística do filme.
Sam Raimi demonstra aqui uma habilidade muito boa para dirigir grandes elencos, com muitos figurantes e com grandes estrelas, porque como você deve bem saber, dirigir um elenco de estrelas como James Franco,Rachel Weisz,Michelle Williams e Mila Kunis deve ser difícil, pois cada um possui um ritmo, um jeito de se comportar em cena e (principalmente) um ego diferente. E aqui, como em todos os seus outros filmes (com exceção de "Arraste-me Para o Inferno"), ele mostra que é um excelente diretor, e não esta com vontade nenhuma de parar. Sorte a nossa.
Seja qual for o ego ou as exigências desses atores, eles merecem, pois a começar por James Franco que vem de alguns anos sem fazer grandes trabalhos (o último fora o sucesso "Planeta dos Macacos: A Origem"),ele promete não só fazer um bom ano, mas também assume uma difícil tarefa começada lá em "Milk - A Voz da Igualdade": se tornar um ator sério. É claro que não sera com "Oz: Mágico e Poderoso" que ele conseguirá tal feito, mas num ano que ele lança "Spring Breakers","Lovelace" e possui cinco filmes em pós-produção, filmando três filmes e mais dois em pré-produção, sugere-se que "Oz" seja seu grande abre alas. Aqui, Franco entrega performace muito longe do que ele costuma fazer, mas mesmo assim é uma ótimo diversão ve-lo como um mágico fajuta. Michelle Williams vem de anos gloriosos para sua carreira, que agora parece engatada merecidamente, pois só o que ela fez em "Namorados Para Sempre" e (principalmente) em "Sete Dias Com Marilyn", nossa querida Michelle merece toda a atenção possível. Aqui em "Oz", a atriz da um tom muito particular que ela imprime em praticamente todos os seus papéis, de sensibilidade, calma,leveza e sensatez, coisa esta muito difícil hoje em dia. Mila, vem de uma performace muito divertida em "Ted" (a melhor é a cena em que ajunta cocô de uma prostituta no chão da sala), sendo que aqui ela consegue convencer muito como a irmã atormentada, mesmo estando muito longe do que ela pode fazer, mas assim como Franco, ela consegue divertir muito. Rachel Weisz me surpreendeu no papel de Evanora, que era para ser mais um passatempo para a atriz que um dia fez "O Jardineiro Fiel", mas não, Rachel esta muito bem na pela de Evanora e (pasmem) entrega uma performace muito boa. Por enquanto, ela perde apenas para Emma Thompson (de "Dezesseis Luas") na interpretação de uma bruxa no cinema. Ambas arrasaram, como de costume.
O roteiro esta um pouco bobinho sim, mas isso não incomoda de maneira nenhuma, até porque na combinação do roteirista de "A Origem dos Guardiões" e escritor da peça "Rabbit Hole" com o roteirista dos dois "Meu Vizinho Mafioso", só poderia gerar um roteiro (no mínimo) bobo, mas que (repetindo) não incomoda.
Na produção, tudo lembra "Alice no País das Maravilhas", mas nunca é demais ressaltar o bom trabalho da equipe. Danny Elfman é um verdadeiro gênio nas suas composições, e aqui, capricha mais uma vez, com ênfase, no tema de abertura. Gary Jones se mostra um excelente figurinista ao desenhar modelos muito estilosos, com ênfase nas irmãs bruxas. Nancy Haigh consegue ser perfeita ao compor uma direção de arte muito bonita. Vale lembrar que foi ela a responsável pelos cenários de "Bravura Indômita" (2010), "Dreamgirls" e "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas". Por fim, mas não menos importante, está os efeitos visuais feitos pelas empresas responsáveis pelos ótimos efeitos de "Os Vingadores","Prometheus","O Preço do Amanhã" e "João e Maria: Caçadores de Bruxas". Recomendo que você assista o 3D, porque o último tão bom e que valesse tanto a pena foi em "A Hora do Espanto" (da versão mais recente), sendo que posterior a ele, só "Alice no País das Maravilhas" mesmo.
Nota: 8,0

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