Os Miseráveis

Você ja deve estar cansado de saber que "Os Miseráveis" é um dos musicais mais longevos e bem sucessidos da história, mais que "Mamma Mia!","Wicked" e "O Fantasma da Ópera". Consequentemente ja ganhou mais de 10 adapatações as telonas, a última foi em 1998 com Uma Thurman,Claire Danes,Liam Neeson e Geoffrey Rush. Mas, dessa vez, a produção da Universal Pictures deu uma baita caprichada no material e transformou um musical melodramático num épico romântico que só o diretor de "O Discurso do Rei" juntamente com o apoio da Universal poderiam fazer.
Na história que todos ja conhecem, temos Jean Valjean um pobre homem que "roubou" um pedaço de pão para dar ao filho de sua irmã que se não comesse, morreria de fome. O problema é que Javert,  o policial que o acorrenta, não vai parar de persegui-lo, mesmo que ele seja um homem livre. Tempos depois, Jean Valjean se torna prefeito de uma pequena cidade na França, e num ato do destino ele cruza com Fatine, uma prostituta que se ve obrigada a viver no pecado para sustentar a filha pequena Cosette. Mas devido ao agravamento da doença de Fantine, Jean Valjean adota a pequena Cosette como filha, mesmo tendo que escapar de Javert numa frança dominada por revolucionários.
Se você lê o blog com frequência, sabe que eu gosto muito de "O Discurso do Rei",mesmo que "A Rede Social" tenha sido uma produção melhor para ganhar o Oscar em 2011. No entanto, na direção deste longa Tom Hooper demostra toda a sua habilidade na direção de atores,na escolha deles e o olhar visionário de transformar um estúdio na Inglaterra, na França em plena Revolução Francesa. E isso, acredito eu, ja vale o ingresso, mesmo que os figurinos sejam ruins,os atores trabalhando e não atuando, o som  perturbador e a maquiagem que transforma o elenco em palhaços,mas felizmente, mesmo tendo um primorosa direção de arte, o filme tem tudo que uma obra prima precisa ter e todo o contrário citado acima.
Hugh Jackman nunca havia feito uma performace tão boa na sua carreira, a última vez que ele estava bem foi em "Austrália" com Nicole Kidman, mas incomparável com a performace de Jean Valjean. Se não fosse por Daniel Day-Lewis eu certamente estaria torcendo para Hugh Jackman, porque é uma performace simplesmente emocionante. Anne Hathway mostra que se vencer o Oscar hoje, não vai parar de fazer suas sempre excelentes performaces. Como Fatine, Anne Hathaway demostra sua paixão por ser atriz, deixando-se ser guiada pelo diretor. Um Oscar para ela por favor.
Amanda Seyfred e Eddie Radmayne deixam a florar seu romance na vida real, em cena, e isso os ajuda muito, porquel além dos dois serem os melhores artistas em ascenção no momento, o casal completa o lado romântico do filme com muita sensibilidade e química. Samantha Barks e Aaron Tveit são atores jovens que me surpreenderam muito, pois em todas as cenas que um ou outro aparece é um assombro,com ênfase em Samantha que protagoniza uma cena perfeita, aquela que a atriz canta na chuva. Por fim, se Amanda Seyfred e Eddie Radmayne davam o romance que o filme precisava, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen  injetam o humor que o filme também precisa. Ainda mais quando cantam "Master Of The House" que se você não se segurar na cadeira do cinema, acaba dançando e pegando aquele mico na sala de cinema diante dos outros espectadores presentes.
E o que eu mais gosto aqui, além de toda a produção, é que mesmo os defeitos ajudam o filme a se tornar uma obra-prima. Explico. Por acaso Russell Crowe canta bem? Claro que não, mas isso acaba deixando o filme mais forte ainda, porque até mesmo os grandes clássicos do cinema como "Bonequinha de Luxo" possuem aqueles defeitos bem pequeninos, mas que passam despercebidos porque o conjunto é muito bom. E é isso que faz que a péssima afinação de Russell Crowe passar despercebida.
Figurino,direção de arte,fotografia,maquiagem,atores,direção,trilha sonora,som. Tudo isso,mais a épica cena final, tornam "Os Miseráveis" um marco na história da sétima arte.
Nota: 10 - Excelente

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