Hitchcock

Ano passado a HBO lançou um ótimo telefilme chamado "The Girl" com Toby Jones,Imelda Stauton e Sienna Miller, que contava a história sobre os bastidores de "Os Pássaros" de 1963 e da relação obssessiva de Alfred Hitchcock (que no telefilme era retratado como uma pessoa repulsiva) e Tippi Hedren (a protagonista do filme). E se la, ja era um ótimo retrato sobre a vida,obra e defeitos de Hitchcock, aqui temos um longa que faz mais que imortalizar Alfred Hitchcock, mas transforma-o numa figura humana,coisa que "The Girl", não deixava muito na cara.
"Hitchcock" começa com um Alfred Hitchcock em crise, porque depois de ler a crítica de  "Intriga Internacional" ele decide que fará uma coisa nova ,diferente, que seja o filme mais diferente da sua carreira, mas que não possui nenhuma ideia de início. Apartir daí, o longa conta desde a escolha de elenco, a rejeição da Paramount e a ajuda da sua santa esposa Alma Reville nos roteiros até o sucesso esmagador de "Psicose",que fora lançado em apenas 4 salas no país todo.
Mas não vá assistir esse belo filme, apenas com o intuito de saber o que aconteceu por trás das câmeras de "Psicose" (até porque verdadeiramente, ninguém nunca vai saber), porque o longa é (acima de tudo) um filme. Não vá pensar que só porque temos um filme sobre os bastidores de alguma produção, que ele será chato, demasiadamente explicativo e artisticamente pobre, pois felizmente, o filme é todo o contrário disso. Ele é muito estiloso,rápido e deixa o público pensar, bem diferente desses documentários que pensam que seu público é alguma espécie de retardado.
Anthony Hopkins esta irreconhecível na excelente maquiagem, mas ele não se destaca apenas por encorporar Alfred Hitchcock ou por esta com enchimentos faciais perfeccionistas. Anthony, esta assombroso, numa interpretação que os céticos diziam (depois de assistir o interessante "O Ritual") que nunca mais se repetiria depois de "Hannibal". Aqui, Hopkins esta incrivelmente afinado, com uma força de vontade muito boa e uma concentração inquebrável. Helen Mirren, não é novidade para ninguém que entrega uma boa performace a cada filme que faz, e se com "A Grande Mentira" eu ja defendia uma indicação ao Oscar pra ela, depois de ve-la no papel de Alma Reville, estou convencido que Helen Mirren não quer morrer, sem antes vencer seu segundo Oscar. Como Alma, Helen mostra toda sua versatilidade ao compor um personagem tão difícil como esse, que exige uma preparação muito grande da atriz que a interpreta. E se não Meryl Streep, ninguém melhor que Helen Mirren para interpreta-la, porque mesmo sendo esnobada do Oscar, Helen compõe mais uma personagem de peso no seu currículo, além de uma performace memorável.
Além dos protagonistas, não podemos deixar de falar da linda Scarlett Johansson, que parece estar brincando em cena, esbanjando confiança e simpatia. Numa performace tão leve e bonita de ser ver. Ela é mais uma, que enquanto não ganhar um Oscar, não vai descansar tão cedo. Jessica Biel tenta ao máximo mostrar que não é apenas "bonitinha", porque aqui, ela conquista um papel que oportuniza-a deixar para trás uma performace terrível de "O Vingador do Futuro" e mostrará (no mínimo que aparece) que ela é sim, uma boa atriz, apenas necessita de roteiros melhores que recebe.
Então se você quer assistir um filme de extrema qualidade, que possui uma produção artística impecável e com performaces incríveis, veja "Hitchcock" esse final de semana.
Dica: veja "Hitchcock" e depois veja "The Girl", pois é praticamente uma sequência não declarada.
Nota: 10

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